Com a progressão da greve dos professores as incertezas em relação ao que será do resto do ano lectivo, impera as dúvidas junto dos estudantes, sobretudo junto dos finalistas, já que terminaram o plano curricular e aguardam as defesas das suas monografias. Domingos Gaspar é estudante do 3.º ano do curso de mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto e admite não saber o que vai acontecer “daqui para a frente”, receando que “façam alterações nos planos curriculares” só para não anular o ano.
“Na época do surgimento da pandemia não tivemos praticamente aulas, ou seja, nos foi despejada matéria e agora com esta greve não sei se vão anular o ano, ou se vão fazer o mesmo que fizeram nesses dois anos”, refere o estudante. Para Fátima de Abreu, estudante do 2.º ano do curso de física da Faculdade de ciências sociais da UAN, “os estudantes continuam a ser os mais prejudicados” enquanto os professores ficam em casa a receber os seus salários. “Não matem o nosso sonho, queremos terminar a nossa formação. Não estou contra a greve dos professores, mas o que está em jogo é a nossa formação, porque não sabemos quando vai terminar”, disse.
Há estudantes que continuam a deslocar-se praticamente duas vezes por semana às universidades para ver se há aulas, mas acabam sempre por “bater com a cara na porta e regressar a casa”. Segundo o presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Francisco Teixeira, a maioria dos estudantes “estão apavorados”, porque muitos deles já tinham as suas defesas marcadas para o mês de Janeiro e Fe[1]vereiro e outros estão em fase de elaboração dos seus trabalhos.
“Os orientadores não querem mais orientar os trabalhos, os estudantes que tinham os exames especiais deixaram de os fazer e as partes continuam em desacordo. Então, o momento é de susto e incerteza porque este ano lectivo está ser pouco aproveitado. Até os pais que venderam terrenos para meterem seus filhos numa universidade estão desiludidos perante esta situação”, lamenta.